Aviso prévio: como funciona, quanto você recebe e as regras

Quando uma relação de trabalho chega ao fim, o aviso prévio ajuda a organizar o encerramento do contrato e dá tempo para que empregado ou empregador se preparem para a mudança.

Entender como funciona esse período é importante para saber quantos dias precisam ser cumpridos, quando o aviso pode ser indenizado e quais valores entram na rescisão. A seguir, veja as principais regras e como elas afetam o trabalhador.

O que é aviso prévio?

O aviso prévio é a comunicação antecipada de que uma das partes pretende encerrar um contrato de trabalho sem justa causa. A regra busca evitar que o vínculo termine de forma imediata, dando tempo para organizar a saída.

Na prática, ele pode acontecer de duas formas:

  • trabalhado: o empregado continua trabalhando durante o período;
  • indenizado: o empregado deixa de trabalhar, mas recebe o valor correspondente ao período quando a iniciativa da dispensa é do empregador.

A duração depende da situação e, em alguns casos, também do tempo de serviço na empresa.

Quantos dias de aviso prévio são devidos?

A regra geral começa em 30 dias para quem tem até um ano de serviço na mesma empresa. A Lei nº 12.506/2011 acrescentou 3 dias por ano de serviço, até o limite de 90 dias no total.

Veja como funciona a proporcionalidade:

  • até 1 ano: 30 dias;
  • 2 anos: 33 dias;
  • 3 anos: 36 dias;
  • 4 anos: 39 dias;
  • 5 anos: 42 dias;
  • 10 anos: 57 dias;
  • 20 anos ou mais: 90 dias.

Assim, quanto maior o tempo de serviço, maior pode ser o período de aviso prévio proporcional quando a dispensa sem justa causa parte do empregador.

Como funciona o aviso prévio trabalhado?

No aviso prévio trabalhado, o empregado continua exercendo suas atividades normalmente durante o período determinado para o encerramento do contrato.

Quando a empresa demite o trabalhador sem justa causa, existe uma regra específica para facilitar a busca por outro emprego.

O empregado pode escolher entre:

  • reduzir a jornada em 2 horas por dia, sem redução do salário; ou
  • manter a jornada normal e deixar de trabalhar por 7 dias corridos.

O artigo 488 da CLT prevê a redução e, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, ela vale para trabalhadores urbanos quando o empregador concede o aviso.

Importante: essa redução não se aplica ao pedido de demissão. Nesse caso, o trabalhador que cumpre o aviso não tem esse direito.

Como funciona o aviso prévio indenizado?

No aviso prévio indenizado, o trabalhador não precisa continuar trabalhando durante o período, mas recebe o valor correspondente quando a dispensa parte do empregador.

Por exemplo, imagine um trabalhador com salário de R$ 3.000 que tenha direito a 30 dias de aviso prévio.

Se a empresa optar por indenizar o período, o valor correspondente ao aviso será de aproximadamente R$ 3.000, antes dos descontos aplicáveis.

Se o trabalhador tiver direito a um período proporcional maior, o cálculo considera os dias correspondentes.

O aviso indenizado também pode projetar o término do contrato para uma data posterior, produzindo efeitos sobre outras verbas rescisórias.

Quem escolhe entre aviso trabalhado e indenizado?

A forma de cumprimento depende de quem encerra o contrato e das circunstâncias da rescisão.

Na demissão sem justa causa, a empresa pode determinar o cumprimento trabalhado ou optar pela indenização do período, observando as regras aplicáveis.

Já no pedido de demissão, o trabalhador normalmente deve cumprir o período de aviso. Se sair antes do término sem que o empregador o dispense, o empregador pode descontar o período não trabalhado das verbas rescisórias.

O aviso prévio aumenta conforme o tempo de empresa?

Sim, mas existe uma diferença importante entre ser demitido e pedir demissão.

Na dispensa sem justa causa pelo empregador, a legislação prevê o aviso proporcional, que pode chegar a 90 dias conforme o tempo de serviço.

Já no pedido de demissão, o Ministério do Trabalho e Emprego informa que, na ausência de regra diferente em acordo ou convenção coletiva, o trabalhador mensalista deve cumprir 30 dias de aviso prévio. Se não cumprir, o empregador pode descontar o período faltante.

Exemplo prático

Imagine duas pessoas que trabalham há 5 anos na mesma empresa:

Pessoa A: a empresa a demitiu sem justa causa.
→ O aviso prévio proporcional pode chegar a 42 dias.

Pessoa B: pediu demissão.
→ Em regra, deverá cumprir 30 dias de aviso.

A aplicação da proporcionalidade no pedido de demissão pode depender também de acordo ou convenção coletiva, por isso vale conferir a norma da categoria.

O que o trabalhador recebe no aviso prévio?

O aviso prévio faz parte do acerto de desligamento e precisa ser considerado junto às demais verbas da rescisão.

Dependendo da forma de encerramento do contrato, o trabalhador pode ter direito a:

  • saldo de salário;
  • aviso prévio trabalhado ou indenizado, quando aplicável;
  • 13º salário proporcional;
  • férias vencidas, se houver;
  • férias proporcionais + 1/3;
  • multa do FGTS, nos casos previstos;
  • saque do FGTS, quando permitido;
  • seguro-desemprego, se preencher os requisitos legais.

O direito a cada parcela depende do motivo da rescisão. Quem pede demissão, por exemplo, não tem direito à multa rescisória do FGTS, ao saque do FGTS por esse motivo nem ao seguro-desemprego.

O aviso prévio conta para férias e 13º?

Sim. O período do aviso prévio integra o tempo de serviço e pode influenciar o cálculo de outras verbas da rescisão.

Isso é especialmente relevante no aviso prévio indenizado, porque a projeção do período pode alterar a quantidade de avos considerados no cálculo de férias e 13º.

Por isso, o trabalhador não deve olhar apenas para o valor isolado do aviso. É necessário analisar o acerto rescisório como um todo.

O que muda no aviso prévio em caso de justa causa?

A demissão por justa causa possui regras diferentes. Como a rescisão ocorre em razão de uma falta grave atribuída ao trabalhador, não há aviso prévio.

Também mudam outros direitos da rescisão, como determinadas parcelas de férias, 13º, FGTS e seguro-desemprego.

Por isso, aviso prévio e justa causa não devem ser analisados pelas mesmas regras de uma demissão sem justa causa.

Como calcular o valor do aviso prévio?

Para uma estimativa simples, é possível partir do salário mensal e da quantidade de dias de aviso a que o trabalhador tem direito.

Exemplo com 30 dias

Salário: R$ 3.000
Aviso prévio: 30 dias

Cálculo aproximado:

R$ 3.000 ÷ 30 × 30 = R$ 3.000

Exemplo com 42 dias

Salário: R$ 3.000
Aviso prévio: 42 dias

Cálculo aproximado:

R$ 3.000 ÷ 30 × 42 = R$ 4.200

Esses valores servem apenas para entender a lógica do cálculo. O valor efetivamente recebido pode depender de remuneração variável, adicionais, descontos e da forma como a empresa realizou a rescisão.

Quais são as principais regras para não errar?

Antes de assinar a rescisão, vale conferir alguns pontos:

  • quem tomou a iniciativa do desligamento;
  • quantos dias de aviso prévio foram considerados;
  • se o período será trabalhado ou indenizado;
  • se houve aplicação correta da proporcionalidade;
  • se o 13º proporcional está correto;
  • se a empresa calculou as férias com o adicional de 1/3;
  • se os valores relacionados ao FGTS estão corretos;
  • se a empresa registrou corretamente a data de término do contrato;
  • se o pagamento da rescisão respeitou o prazo de 10 dias corridos.

Uma conferência cuidadosa ajuda a identificar diferenças antes de finalizar o processo.

Entender o aviso prévio evita surpresas na rescisão

O aviso prévio não significa apenas cumprir mais alguns dias antes de deixar a empresa. Ele influencia o encerramento do contrato e pode afetar o valor final recebido pelo trabalhador.

A principal diferença está em quem encerrou o contrato, quanto tempo a pessoa trabalhou na empresa e se o período será trabalhado ou indenizado.

Com essas informações, fica mais fácil conferir a rescisão e entender se os valores apresentados pela empresa fazem sentido.

Perguntas frequentes (FAQ)

Quantos dias de aviso prévio tenho direito?

O período começa em 30 dias e, na dispensa sem justa causa, pode aumentar em 3 dias por ano de serviço, até o limite de 90 dias, conforme a Lei nº 12.506/2011.

Quem pede demissão tem direito a aviso prévio?

O aviso prévio também se aplica ao pedido de demissão. Em regra, o trabalhador mensalista deve cumprir 30 dias quando não houver regra diferente estabelecida por norma coletiva.

Posso sair antes de terminar o aviso prévio?

Se o trabalhador pediu demissão e deixar o emprego antes de completar o período sem dispensa do empregador, o empregador pode descontar os dias não cumpridos da rescisão.

O aviso prévio é pago junto com a rescisão?

Quando o aviso é indenizado, o valor correspondente entra no acerto rescisório. O pagamento das verbas rescisórias deve ocorrer em até 10 dias corridos após o término do contrato.

Quem está de aviso prévio pode reduzir a jornada?

Quando o trabalhador recebe uma demissão sem justa causa e cumpre aviso trabalhado, pode ter direito à redução de 2 horas por dia ou a 7 dias corridos, sem redução do salário. Essa regra não se aplica ao pedido de demissão.

A empresa pode descontar o aviso prévio?

Se o trabalhador pede demissão e não cumpre o período devido, o empregador pode descontar os valores correspondentes ao prazo não cumprido, observadas as regras aplicáveis.